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A artista

Aline Mac Cord é artista visual brasileira, baseada no Rio de Janeiro. Sua prática envolve pintura e colagem, investigando a relação entre percepção, gesto e ambiente a partir de processos sensoriais e fenomenológicos.

Formada pela UFRJ e com mestrado na Columbia University (Nova York), desenvolve sua pesquisa artística na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Atua profissionalmente no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, onde o convívio com pesquisas botânicas e científicas atravessa seu campo de investigação poética.

Aline Mac Cord, artista.
A artista Aline Mac Cord pintando uma tela no seu ateliê.

"Minha pesquisa artística parte da compreensão de que o humano não existe separado do mundo que habita. Corpo, matéria, paisagem e tempo formam um campo contínuo de relações, no qual viver é sempre coexistir. Não há natureza fora de nós, mas atravessamentos e interdependências que moldam a experiência de estar vivo. 

 

O gesto não se impõe. Ele emerge. Cresce lentamente até encontrar passagem, revelando forças que já estavam ali — não como ruptura, mas como afloramento. O movimento se manifesta como uma curva orgânica que se ramifica, semelhante aos processos vivos: cresce, dobra, se expande, encontra novos percursos sem perder continuidade. Não busco representar o real. Abro espaço para o que pulsa antes da forma.

Quando essa energia toca a tela, não a ocupa por completo. Ela encosta e segue, como o voo de um pássaro que toca a superfície da água apenas o suficiente para fazer surgir ondas. O gesto não se fixa; deixa um rastro sensível que se espalha pelo campo pictórico e continua além dele. As ondas que se formam na pintura não pertencem só a mim, nem só ao ambiente. Elas pertencem ao território compartilhado onde o visível e o invisível se encontram. A pintura nasce dessa compreensão: não estamos diante da natureza, mas imersos nela, como parte do mesmo organismo vivo. É nesse campo que o gesto acontece e se prolonga, convidando o olhar a circular, a respirar, a permanecer.

 

Trabalho com pintura, colagem e materiais orgânicos como quem escuta processos vitais. A matéria não ilustra a natureza: ela responde, resiste e transforma. A obra se constrói na convivência entre ritmos biológicos, perceptivos e sensoriais, incorporando a instabilidade própria da vida.

 

Minha prática parte da consciência de que percebemos apenas uma fração do real. Pintar torna-se, assim, um exercício de atenção e convivência com essas camadas sutis, onde o humano deixa de ocupar o centro e passa a integrar uma trama maior.

 

A pesquisa não propõe soluções nem discursos fechados. Ela convida à suspensão do olhar utilitário e à abertura para uma experiência sensível do mundo. A pintura acontece nesse intervalo."

Para mais informações, deixe seu e-mail de contato:

@aline.maccord

©2025 por Aline Mac Cord

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